terça-feira, 27 de janeiro de 2026

FRUTIFICANDO NA VELHICE


Carta aberta de uma mãe para sua filha



Minha filha,

o tempo passou por mim

como Israel passou pelo Jordão.

não me destruiu,

me levou para outra margem.


Quando eu digo “vou pra não voltar”,

não é adeus,

é entrega.

É como Ana no templo:

coloco minha história

nas mãos de Deus

e descanso.


Já não corro como antes,

mas ainda caminho com fé.

Já não decido os dias,

mas o Senhor ainda os escreve.


Se meus olhos perdem o brilho da juventude,

ganham a luz da promessa:

“Até aqui nos ajudou o Senhor.”


Não sou mais voz na praça,

mas sou oração no quarto.

Não sou mais protagonista,

mas sou testemunho.


Se a força diminui,

a esperança floresce.

Se o corpo se curva,

o espírito se levanta.


Minha filha,

não me veja como fim,

veja-me como semente:

se eu descanso na terra,

é para frutificar em você.


Porque os que esperam no Senhor

renovam as suas forças,

e mesmo na velhice

ainda darão frutos.


Liliane Castanha

26/01/26

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindos pensamentos. É verdade. As pessoas que sabem viver, mesmo na morte ainda inspiram.

Liliane Castanha disse...

Vdd, querido leitor. O valor da velhice, a transmissão de legado entre gerações é a maneira de encontrar propósito além da força física.