Carta aberta de uma mãe para sua filha
Minha filha,
o tempo passou por mim
como Israel passou pelo Jordão.
não me destruiu,
me levou para outra margem.
Quando eu digo “vou pra não voltar”,
não é adeus,
é entrega.
É como Ana no templo:
coloco minha história
nas mãos de Deus
e descanso.
Já não corro como antes,
mas ainda caminho com fé.
Já não decido os dias,
mas o Senhor ainda os escreve.
Se meus olhos perdem o brilho da juventude,
ganham a luz da promessa:
“Até aqui nos ajudou o Senhor.”
Não sou mais voz na praça,
mas sou oração no quarto.
Não sou mais protagonista,
mas sou testemunho.
Se a força diminui,
a esperança floresce.
Se o corpo se curva,
o espírito se levanta.
Minha filha,
não me veja como fim,
veja-me como semente:
se eu descanso na terra,
é para frutificar em você.
Porque os que esperam no Senhor
renovam as suas forças,
e mesmo na velhice
ainda darão frutos.
Liliane Castanha
26/01/26

2 comentários:
Lindos pensamentos. É verdade. As pessoas que sabem viver, mesmo na morte ainda inspiram.
Vdd, querido leitor. O valor da velhice, a transmissão de legado entre gerações é a maneira de encontrar propósito além da força física.
Postar um comentário